Polícia Federal desarticula esquema milionário de desvio de verbas públicas em prefeituras do Piauí
Entre os alvos estão engenheiros, advogados, operadores financeiros e agentes políticos.
A Polícia Federal colocou organizações criminosas que atuavam em prefeituras do Piauí no centro de uma grande ofensiva contra desvios de recursos públicos e deflagrou, na manhã desta terça-feira (07), em ação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF), a segunda fase das operações Holding e Conflictus, que tem como alvo um sofisticado esquema de fraudes em licitações, corrupção e desvio milionário de verbas federais destinadas à educação e à saúde no Piauí
As investigações apontam que grupos empresariais conseguiram se infiltrar na administração pública de pelo menos 16 municípios piauienses, utilizando empresas de fachada, manipulação de processos licitatórios, pagamento de propinas e cooptação de agentes públicos para garantir contratos milionários custeados com recursos do Fundeb e do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra advogados, engenheiros, agentes políticos e operadores financeiros investigados e, em atendimento à decisão da Justiça Federal, procedeu pelo afastamento cautelar de uma servidora da Secretaria Municipal de Administração e Obras de Francinópolis.
Braço técnico e jurídico do esquema que envolve servidores do TCE
A Coluna apurou que a nova fase da Operação Holding visa, sobretudo, atacar integrantes do núcleo técnico e operacional da organização criminosa que ainda não haviam sido alcançados nas primeiras diligências. O objetivo é identificar servidores públicos que foram corrompidos e interromper contratos fraudulentos que permaneciam em execução.
O Ministério Público Federal identificou a atuação de advogado como responsável por intermediar pagamentos ilícitos a servidores do Tribunal de Contas do Estado do Piauí que manipulavam processos e recursos para proteger os interesses do grupo criminoso.
Empresas de fachada e licitações direcionadas
As investigações revelam ainda um esquema estruturado para fraudar a concorrência em licitações públicas. Empresas de fachada, registradas em nome de terceiros, apresentavam propostas fictícias, conhecidas como "propostas coelho", apenas para simular competitividade e favorecer previamente as empresas ligadas ao grupo.
Operação Conflictus
Na Operação Conflictus, a Polícia Federal identificou outro modelo de atuação, bem distinto. A empresa investigada vencia licitações e, posteriormente, repassava integralmente a execução das obras para outras construtoras. Em seguida, um operador financeiro realizava o pagamento de propinas a agentes públicos para garantir a manutenção do esquema.
Os crimes ora investigados são peculato, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, associação criminosa e tráfico de influência, os quais os investigados poderão responder na Justiça Federal.
Fonte: GP1

