Facção queria transformar Pedro II em território dominado pelo crime, afirma delegado
Segundo a polícia, os investigados são membros de núcleos criminosos vinculados ao Comando Vermelho
A Polícia Civil do Piauí revelou, nesta quarta-feira (01), durante entrevista à TV Antena 10 e o A10+, que integrantes do Comando Vermelho ligados ao município de Pedro II foram identificados em comunidades do Rio de Janeiro, como a Rocinha e o Morro da Muzema. Ao todo, foram cumpridos 68 mandados judiciais, incluindo mandados de prisão no Piauí e outros dois estados.
Segundo o delegado Agenor Lima, as investigações apontaram um intenso fluxo de recursos movimentados pela organização criminosa e resultaram no bloqueio de bens obtidos de forma ilícita. De acordo com o delegado, o grupo tinha como objetivo ampliar o domínio da facção em Pedro II, estratégia semelhante à adotada em cidades do Ceará.
“A gente constatou, mediante relatório técnico e investigação de campo, esse grande fluxo de valores da organização criminosa. E o que é importante a gente ressaltar é o aspecto de que a cidade de Pedro II é onde há a maior quantidade de criminosos vinculados ao Comando Vermelho. Conseguimos identificar que alguns se encontram no Morro da Muzema e outros na comunidade Rocinha, locais que estão em disputa territorial. Esses indivíduos apresentaram uma grande violência com relação à cidade de Pedro II, com o objetivo de dominar a cidade, assim como fizeram em alguns locais do estado do Ceará. No entanto, desde 2024 a gente vem empreendendo esforços, e agora isso resultou também na indisponibilidade dos bens obtidos ilicitamente por essa organização criminosa”, detalhou o delegado Agenor Lima.
De acordo com o delegado Laércio Evangelista, coordenador do DRACO, Pedro II é uma cidade estratégica para os faccionados, visto que é um local próximo ao estado do Ceará e que tem forte potencial turístico.
Dentre os presos, está a mulher de "Tapioca", liderança da facção na cidade, que já está preso. Ela é uma das responsáveis pelo núcleo financeiro do Comando Vermelho na região e continuou na prática mesmo com a prisão do companheiro. Outras pessoas que exerciam a mesma função também foram presas.
"Foram 68 mandados judiciais e 14 mandados de prisão, e desses indivíduos, eram responsáveis pela movimentação financeira. Essas mulheres presas ontem seriam as responsáveis justamente por essa movimentação financeira da facção", disse o delegado à TV Antena 10.
As investigações iniciaram em 2024 e, ao longo de várias etapas da operação, vários criminosos de alta periculosidade foram presos, segundo a polícia. Entre os criminosos: Júnior Tapioca, Baixinho e Negão, que possuíam vínculo com faccionados dos outros estados envolvidos na ação.
Durante a operação, foi determinado o bloqueio de R$ 50 milhões em valores e bens associados aos investigados, que costumam realizar grandes movimentações de valores ligados ao Comando Vermelho.
Novas etapas da operação devem ser deflagradas para identificar e mais prender mais investigados.
Estrutura da organização
A polícia mapeou a estrutura da organização criminosa, explicando a função de alguns membros do grupo.
- "Carioca ou Canindé": líder da organização e responsável por coordenar ações a partir do Rio de Janeiro;
- "A. I. N. S.": chefia da organização em Pedro II e responsável pelo comando do tráfico de drogas na cidade;
- "Tapioca": uma das lideranças da organização atuante em Pedro II
- "Negão": executor da organização
Fases anteriores
Em outras fases da operação, a polícia cumpriu mais de 42 mandados de prisão e elucidou 13 homicídios atribuídos à organização, entre eles as mortes de Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e Danilo Soares, que foi encontrado em uma cova rasa.Ambos os casos aconteceram em Pedro II no contexto do tribunal do crime.
Em depoimento, o executor da organização confessou a prática de seis homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio, crimes cometidos mediante pagamento em drogas, aluguéis e mantimentos.
Fonte: Portal A10+

