Menino de 11 anos sobrevive a desabamento e aciona vizinhos em Barras
Criança conseguiu sair da casa após a tragédia e pediu ajuda para socorrer a família
Um dos sobreviventes do acidente que vitimou a grávida Antônia Carla, de 34 anos, e dois filhos, foi responsável por ajudar a socorrer a família. O menino de 11 anos, conseguiu fugir da casa assim que os escombros caíram. Segundo o Grupamento de Resgate Voluntário (GAV), assim que a estrutura rompeu o menino conseguiu correr e salvar, acionando vizinhos. Ele saiu do acidente apenas com uma raladura ao se esquivar dos destroços.
O primeiro socorro foi feito por populares que acionaram a Policia Militar do Piaui e o Gav. O Cidadeverde.com apurou que o menino de 11 anos foi levada pelo Conselho Tutelar até o Hospital Regional Leondidas Melo onde foi acompanhado por um psicólogo e informado que mãe e os irmãos haviam falecido.
Seis pessoas estavam no imóvel no momento do desabamento: a mãe, grávida de sete meses, e seis crianças todos do sexo masculino de 3, 6, 8, 11, 13 e 14 anos.
A mulher, de 34 anos, identificada como Antônia Carla Pereira Araújo, e dois de seus filhos, de 8 e 6 anos, morreram após ficarem feridos com a queda da estrutura. O de 11 conseguiu sair e os outros três foram socorridos e encaminhados ao hospital Leônidas Melo. O acidente ocorreu por volta das 4h da manhã.
O velório de Antônia Carla dos filhos mortos após o desabamento será realizado a partir das 18h, no Ginásio Poliesportivo da Vila França, no município de Barras.
Foto: Arquivo Pessoal

Moradores se assustaram com o barulho
Moradores do bairro Vila França, em Barras, no Norte do Piauí, relataram momentos de desespero após o sobrado desabar sobre uma família.
Um morador da região contou que a esposa o acordou ao ouvir o estrondo. Ele e outros vizinhos se deslocaram imediatamente para o sobrado e se depararam com um cenário de destruição. Ele conta que quando chegou ao sobrado chamou por Antônia, mas ela não respondeu. Pouco depois, ouviu um dos garotos pedir socorro.
Ao todo, moradores, o Corpo de Bombeiros e o Grupo de Resgate Voluntário de Barras (GAV) conseguiram resgatar quatro crianças. Uma delas morreu após dar entrada no Hospital Regional Leônidas Melo. Antônia Carla e o filho de 6 anos morreram no local do desabamento.
A coordenadora do GAV, Maria de Jesus, explicou que o trabalho de resgate contou com o apoio de um guindaste. Parte da estrutura do imóvel ficou sustentada por um botijão de gás, que chegou a vazar, mas foi contido.
“Fomos tirar com os outros vizinhos. Quando cheguei, chamei por ela e o menino mais velho respondeu. O primeiro saiu, a máquina veio e conseguimos tirar os outros. Tiramos três com vida. O quarto, a caminho do hospital, morreu, infelizmente”, relatou a coordenadora.
Família vivia em situação de vulnerabilidade
Vivendo em constante vulnerabilidade, Antonia Carla, de 34 anos, passou grande parte da vida em busca de uma residência para morar com os filhos. Ela aguardava a chegada de uma menina, que seria sua primeira filha.
Maria Zenaide, madrinha de um dos filhos de Antônia Carla, esteve no hospital na manhã desta segunda-feira (20). Ela conta que vivia uma relação de amizade com Antônia desde que veio morar em Barras.

Maria Zenaide lembra que Antonia vivia em extrema vulnerabilidade e chegou a morar com ela por dois anos devido a conflitos familiares. Depois disso, Antonia chegou a morar em Brasília, com um tio, mas anos depois retornou a Barras onde tinha dificuldades em encontrar moradia.
“Foi muito triste. Logo hoje eu amanheci a tia dela me ligando e eu falei, aconteceu alguma coisa. Quando eu conheci ela a gente se deu como amiga aí logo ela ficou grávida, eu engravidei também nós juntas.
Maria Zenaide conta que Antônia Carla chegou a ter uma filha, gêmea, que faleceu. A bebê que estava barriga de Antônia seria chamada de Jade e seria a primeira filha dela. Com a perspectiva de ter uma casa construída em breve, Antônia estava feliz por poder dar um lar a bebê.
“Ela falou que a casa dela não estava prestando e que tinha medo da casa cair, por isso saiu de lá e foi pra invasão. Ela tava muito feliz porque agora viria uma menina”, explica.
Fonte: Cidade Verde



