Morre Oscar Schmidt, ícone do basquete brasileiro, aos 67 anos

Ex-jogador marcou gerações, teve passagem pelo Piauí e é lembrado como um dos maiores atletas da história do país

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

 Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Oscar Schmidt, o principal nome do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, em Santana do Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo, após passar mal em casa.

Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), nas proximidades de Alphaville, onde residia. De acordo com a prefeitura, o ex-atleta já deu entrada na unidade em parada cardiorrespiratória e não resistiu. A causa da morte não foi informada. Confira nota da Prefeitura ao fim da reportagem. 

Considerado o principal nome da história do basquete nacional, o “Mão Santa” construiu uma trajetória de mais de 25 anos marcada por recordes, títulos e protagonismo dentro e fora das quadras.

Em nota, a assessoria destacou a luta do ex-atleta contra um tumor cerebral ao longo de mais de 15 anos, enfrentada “com coragem, dignidade e resiliência”. A família também informou que a despedida ocorrerá de forma reservada. Confira nota na íntegra ao fim da reportagem.

Passagem pelo Piauí

A relação de Oscar Schmidt com o Piauí também ficou registrada fora das quadras. Em 2009, o ex-jogador esteve em Teresina para uma convenção do Grupo Claudino e protagonizou um momento que ainda hoje é lembrado por quem acompanhou o evento.

Após cerca de 1h40 de palestra, foi aplaudido de pé ao transformar sua trajetória no esporte em uma verdadeira aula sobre disciplina, metas e persistência. Em um dos trechos mais marcantes, resumiu a filosofia que guiou sua carreira:

“Eu não acredito em dom ou talento, mas sim em vontade, trabalho e obstinação.”

Durante a apresentação, Oscar Schmidt revisitou momentos decisivos da carreira, como a histórica vitória sobre os Estados Unidos no Pan de 1987, e compartilhou bastidores pouco conhecidos do público.

Autor do livro “Dom? Talento? Balela...”, ele estruturou sua fala em cinco pilares: visão, decisão, time, obstinação e paixão. Também surpreendeu ao mostrar feitos técnicos, como a sequência de 25 arremessos de três pontos convertidos em um minuto.

Mais do que números, a palestra revelou o lado humano do ídolo. Oscar contou que precisou se reinventar após a aposentadoria, quando percebeu que não tinha uma profissão fora do esporte. Foi a partir desse momento que passou a investir em palestras pelo país, caminho que o levou a se tornar uma das vozes mais requisitadas no meio corporativo.

Entre histórias e reflexões, deixou uma mensagem direta ao público piauiense.

“Olhe para esse cara. Se esse cara conseguiu, vocês conseguem.”

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Foto: Yala Sena / cidadeverde.com

Vida e carreira

Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 1958, em Natal (RN), mas iniciou sua trajetória no basquete apenas aos 13 anos. Sua carreira decolou rapidamente ao mudar-se para o Palmeiras em 1974, onde se destacou nas categorias de base e conquistou o bronze no Mundial de 1978 com a seleção principal. Em 1979, consolidou sua importância no cenário nacional ao vencer o Mundial Interclubes pelo Sírio.

A visibilidade internacional levou o "Mão Santa" para a Europa, onde viveu um dos períodos mais intensos de sua carreira. Na Itália, atuou por 11 temporadas entre o Juvecaserta e o Pavia, tornando-se o primeiro jogador a ultrapassar os 10 mil pontos no campeonato italiano e estabelecendo recordes históricos em quadra.

Sua história nas Olimpíadas é lendária, somando cinco participações entre 1980 e 1996. Oscar detém o título de maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos, tendo sido o maior pontuador em três edições diferentes (Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996). Em 1988, ele estabeleceu recordes impressionantes que perduram, como a maior média de pontos e o maior número de pontos em uma única partida olímpica (55 contra a Espanha).

Em 1995, retornou ao basquete brasileiro para atuar em clubes como Corinthians, Mackenzie e Flamengo. Foi no clube carioca que Oscar alcançou a marca de 49.737 pontos, superando Kareem Abdul-Jabbar e tornando-se o maior cestinha da história do basquete mundial. Ele se aposentou das quadras em 2003, deixando um legado de dedicação extrema e recordes que o colocaram definitivamente no Hall da Fama da modalidade.

Despedida do filho 

O filho, Felipe Schmidt, publicou uma homenagem nas redes sociais: “Hoje o mundo perde um ídolo, e eu perco meu pai. Um vazio se cria dentro de você, parece que um pedaço foi arrancado.”

Ele também pediu respeito ao luto da família e afirmou que pretende honrar os ensinamentos do pai. “Vou tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi”, escreveu. Leia despedida completa abaixo. 

Hoje o mundo perde um ídolo, e eu perco meu pai. Hoje não está sendo um dia fácil. Quando as pessoas diziam que a dor de perder um pai ou uma mãe é inexplicável, elas tinham razão. Um vazio se cria dentro de você, você fica sem chão, e parece que um pedaço de você foi arrancado.

Mas o tempo cura tudo, e essa dor vai ficar mais fácil de lidar. Ela nunca vai sair de mim, porém vai amenizar.

Queria pedir que respeitassem minha família neste momento duro e que nos deixem viver o nosso luto. Mas também que celebrem a vida que meu pai teve dentro e fora das quadras. Ele foi um herói e deixou um legado no basquete que poucos alcançaram.

E, como filho, eu só tenho a dizer: pai, vou sentir a sua falta. Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem e tentar ser ao menos 10% do ser humano que você foi. Você foi um exemplo de vida para mim, e eu nunca, nunca vou te esquecer.

Agora descansa em paz, pai. Dá um oi para a nossa Nona. Você está no hall da fama da vida.

Nota da assessoria da família

"É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial e uma figura de imenso significado humano e esportivo. Ao longo de mais de 15 anos, Oscar enfrentou com coragem, dignidade e resiliência a sua batalha contra um tumor cerebral, mantendo-se como exemplo de determinação, generosidade e amor à vida.

Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo. A despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento.

Os familiares agradecem, sensibilizados, todas as manifestações de carinho, respeito e solidariedade recebidas, e solicitam a compreensão de todos quanto à necessidade de privacidade neste momento de luto. Seu legado permanecerá vivo na memória coletiva e na história do esporte, assim como no coração de todos que foram tocados por sua trajetória."

Nota de Pesar - Prefeitura de Parnaíba

A Prefeitura de Santana de Parnaíba manifesta profundo pesar pelo falecimento de Oscar Schmidt, considerado o maior jogador de basquete da história do Brasil.

Ícone do esporte nacional, Oscar construiu uma trajetória marcada por talento, dedicação e amor à camisa, levando o nome do país aos mais altos níveis do basquete mundial e deixando um legado inesquecível nas quadras e na história olímpica.

Informamos que Oscar Daniel Bezerra Schmidt, 68 anos, passou mal em sua residência e foi encaminhado nesta sexta-feira (17/04) ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) pelo Serviço de Resgate, já em parada cardiorrespiratória (PCR), chegando à unidade sem vida.

Neste momento de dor, nos solidarizamos com familiares, amigos, admiradores e com toda a comunidade esportiva brasileira.

Seu legado será eterno. ????? 

Fonte: Cidade Verde

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