Trump volta a criticar Otan e ameaça retirar EUA da aliança em meio à guerra com o Irã
Presidente também intensifica ataques ao papa e a aliados europeus enquanto conflito no Oriente Médio se agrava
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pela falta de apoio na guerra contra o Irã. Em publicação nesta quarta-feira (15), o republicano afirmou que a aliança militar “não esteve e não estará lá por nós no futuro".
Essa não é a primeira vez que Trump critica a Otan. Em declarações anteriores, o presidente afirmou que a aliança "não fez absolutamente nada" para ajudar os Estados Unidos na guerra, bem como para reabrir o Estreito de Ormuz. A rota marítima, por onde passam 20% do petróleo mundial, foi fechada parcialmente pelo Irã, em retaliação aos ataques de Washington e Israel.
Em outra fala, Trump chegou a dizer que estava considerando “seriamente” retirar os Estados Unidos da Otan. Em entrevista ao jornal britânico Telegraph, o republicano disse que nunca se deixou influenciar pela aliança militar e que “sempre soube” que os países-membros eram um tigre de papel — expressão que se refere a algo que parece ser perigoso, mas é inofensivo.
Ainda pelas redes sociais, Trump provocou o papa Leão XIV, já chamado de "fraco" pelo republicano defender a paz entre Estados Unidos e Irã. “Alguém pode dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42.000 manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã ter uma bomba nuclear é absolutamente inaceitável?”, escreveu.
As críticas ao pontífice abalaram as relações diplomáticas entre Trump e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Após a política classificar as falas como “inaceitáveis”, o presidente norte-americano acusou Roma de não querer ajudar os Estados Unidos a “se livrar” da arma nuclear do Irã e de não colaborar com a Otan. “Achei que ela tinha coragem, mas me enganei", disse.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.
Na última terça-feira (7), Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.
Fonte: Cidade Verde



