Justiça condena ex-vereador a 21 anos de prisão por mandar matar empresário no Piauí
Enquanto trabalhava, a vítima foi atingida por quatro disparos, a maioria na região da cabeça e pescoço.
O Tribunal do Júri encerrou, na madrugada da última quinta-feira (04), um dos capítulos mais sangrentos da crônica policial recente da região dos Cocais. Marco Antônio Borges Resende, ex-vereador da cidade de Matias Olimpio, foi condenado a 21 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão pelo assassinato do jovem empresário Benedito Neto, de 25 anos. O crime, ocorrido em janeiro de 2025, chocou a população pela frieza da execução e pela motivação fútil: o ex-parlamentar não aceitava o relacionamento da vítima com sua ex-esposa.
A execução de Benedito Neto foi meticulosamente planejada. Na manhã de 14 de janeiro de 2025, o empresário foi surpreendido dentro de seu próprio estabelecimento, a loja "BN Rações", em São João do Arraial. Enquanto trabalhava, Benedito foi atingido por quatro disparos, a maioria na região da cabeça e pescoço, sem qualquer chance de defesa. O crime foi presenciado por familiares e funcionários, gerando uma onda de indignação que culminou em um julgamento marcado por forte comoção popular e segurança reforçada.
Além do ex-vereador, apontado como o autor intelectual e mandante do crime, outros dois homens foram sentenciados pelo Conselho de Sentença. Rafael da Costa Barroso, identificado como o autor dos disparos, recebeu uma pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias. Já Jonathas José de Deus Sousa, que conduziu a motocicleta utilizada para levar o atirador ao local e garantir a fuga, foi condenado a 21 anos de prisão. As investigações apontaram que a dupla agiu mediante pagamento e promessa de recompensa, sob ordens diretas de Marco Borges.
Durante a dosimetria da pena, o magistrado destacou a elevada culpabilidade de Marco Antônio. A sentença enfatizou que o crime não visava apenas eliminar Benedito, mas também atingir emocionalmente a ex-esposa do réu, em uma demonstração clara de sentimento de posse e violência de gênero indireta. O juiz ressaltou que o ex-vereador tentou punir a ex-companheira ao ceifar a vida de um jovem que estava no auge de sua produtividade e projetos pessoais.
Empresário Benedito Cardoso de Sousa Neto
O julgamento, que se estendeu até as 5h da manhã, não foi isento de incidentes processuais. A defesa de Marco Borges tentou anular o processo alegando a "teoria da árvore do fruto envenenado" e questionando o uso de placas de "Sim" e "Não" fornecidas pelo juiz para auxiliar os jurados durante a votação. Todos os pedidos de nulidade foram indeferidos pelo magistrado, que classificou as manobras como "nulidade de algibeira" — quando a parte guarda uma suposta irregularidade para usá-la apenas em caso de resultado desfavorável.
Um ponto alarmante revelado nos autos foi a conexão do crime com organizações criminosas. Segundo as provas apresentadas, houve a contratação de elementos ligados ao PCC para a execução da empreitada, evidenciando o grau de periculosidade e a sofisticação do planejamento. Rafael da Costa Barroso, o atirador, teria vindo da cidade de Timon (MA) exclusivamente para realizar a execução em São João do Arraial, o que reforça a tese de um crime encomendado com apoio logístico externo.
Com a leitura da sentença, o juiz determinou a execução imediata da pena, negando aos réus o direito de recorrer em liberdade. Marco Antônio Borges Resende e seus comparsas foram reconduzidos ao sistema prisional para o início do cumprimento das penas em regime fechado.
Cabe recurso ao Tribunal de Justiça do Piauí.
Fonte: GP1



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