Ex-funcionária que teria desviado mais de R$ 100 mil de clínica em Campo Maior é presa no Pará

Investigada é suspeita de aplicar golpes em dezenas de pacientes e causar prejuízo estimado em R$ 160 mil; mandado foi cumprido pela Polícia Civil do Piauí em Belém.

Foto: Divulgação

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A Polícia Civil do Piauí cumpriu, na manhã desta quinta-feira (20/08), um mandado de busca e apreensão contra Denise Sales, na cidade de Belém, no Pará. A ex-funcionária de uma clínica odontológica de Campo Maior é investigada por um esquema de estelionato e falsidade ideológica que teria causado um prejuízo estimado em R$ 160 mil.

Segundo apuração do Em Foco, Denise chegou a Campo Maior há cerca de 12 anos, vinda de Belém, e conseguiu emprego na clínica odontológica. Ao longo dos anos, teria conquistado a confiança dos proprietários e dos pacientes, o que, segundo a polícia, teria facilitado a prática dos golpes.

De acordo com o delegado Francisco Herdeson de Oliveira Bernardo, titular do 1º Distrito Policial de Campo Maior, a ex-funcionária teria utilizado a função que exercia para abordar pacientes e receber valores referentes a tratamentos odontológicos.

A suspeita teria adotado uma abordagem semelhante com diferentes pacientes. Ela oferecia descontos considerados elevados para quem realizasse o pagamento em dinheiro e, em algumas situações, alegava que a clínica estaria enfrentando problemas na conta bancária, o que justificaria a preferência pelo pagamento em espécie.

Segundo os relatos, Denise ficava com parte ou até mesmo com a totalidade dos valores recebidos, enquanto o pagamento não era registrado como quitado pela clínica. Para evitar que os pacientes percebessem a situação e procurassem o estabelecimento para reclamar de uma suposta pendência, ela utilizaria os pagamentos recebidos posteriormente de outros clientes para quitar os débitos anteriores.

As suspeitas começaram a ganhar força depois que uma paciente desconfiou da abordagem e procurou a clínica. A partir daí, a administração passou a verificar movimentações financeiras e identificou valores que, segundo as investigações, não coincidiam com os registros da clínica.

Ao ser questionada pelos proprietários, Denise teria afirmado que resolveria a situação quando chegasse à clínica. No entanto, no momento em que seria realizada a reunião, ela não compareceu e deixou Campo Maior.

Ainda segundo as informações levantadas durante a investigação, a ex-funcionária teria admitido os crimes e informado que estava arrependida, mas que seguiria para Belém, no Pará, sua cidade natal.

Esquema teria envolvido dezenas de pacientes

As investigações apontam que Denise teria utilizado uma espécie de sistema de pagamentos cruzados. Conforme os relatos, valores recebidos de um paciente eram utilizados para cobrir débitos ou pagamentos relacionados a outros pacientes, criando uma dinâmica semelhante a uma “pirâmide” e dificultando a identificação imediata das irregularidades.

O levantamento dos prejuízos e da forma de atuação teria levado cerca de três meses. Nesse período, foram analisados registros do sistema da clínica, comprovantes de transferências bancárias [para a conta dela] e outras informações financeiras.

A investigação também ouviu pacientes e realizou audiência online com a investigada e o delegado responsável pelo caso. Até o momento, 34 pacientes aparecem entre as pessoas lesadas, enquanto foram registrados 20 boletins de ocorrência por suspeitas relacionadas a estelionato e falsidade ideológica.

Entre os prejudicados estão idosos, que relataram ter sido abordados e pressionados a realizar pagamentos em dinheiro ou transferências bancárias.

A Polícia Civil também investiga se a confiança conquistada pela ex-funcionária ao longo dos anos e até aspectos relacionados à sua religião teriam sido utilizados para reduzir a desconfiança das vítimas.

Fuga para o Pará

Depois que o caso veio à tona, Denise deixou Campo Maior e seguido para Belém, no Pará. A Polícia Civil do Piauí deu continuidade às investigações até localizar a investigada na capital paraense e cumprir a medida judicial.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a extensão dos crimes, identificar todas as vítimas e dimensionar o prejuízo causado à clínica e aos pacientes.

Fonte: Campo Maior em Foco

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