PM é indiciado por matar homem a tiros em Campo Maior; investigação aponta alteração da cena do crime

Policial alegou legítima defesa, mas inquérito descartou a versão e concluiu que houve tentativa de forjar pedido de socorro após o homicídio.

Foto: Divulgação

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O policial militar Hesron Gonçalves de Sousa e Silva, suspeito de atirar e matar Francisco Werick durante uma invasão a uma residência em julho de 2025, na cidade de Campo Maior, Norte do Piauí, foi indiciado pelo crime de homicídio simples. Ao A10+, a defesa informou que a vítima nunca teve passagem pela polícia. 

Na data da ocorrência, Francisco Werick invadiu a residência do policial e, na ocasião, o agente de segurança efetuou disparos que acabou matando o homem. Ele se apresentou na delegacia após o fato e alegou legítima defesa. 

A defesa da família solicitou diligências como buscas e apreensão, laudos e perícias técnicas que mostraram alterações dos fatos e distorção das informações repassadas pelo policial às autoridades. De acordo com a defesa, o militar alterou a cena do fato e forjou ligação de socorro para o 190.

“O policial tira a vida do Francisco Werick, tanto que não liga para o SAMU, inventa que o 190 não funcionou, e a perícia técnica comprova que primeiro ele liga para o seu superior, depois liga para outros policiais do BEPI, para depois simular uma ligação para o 190, ele e sua companheira. Isso tudo para justificar uma legítima defesa e ter a certeza de que os policiais de Campo Maior não chegariam e não encontrariam a cena do crime da forma como ela aconteceu. A cena é modificada, sendo colocado um facão, uma arma de fogo, e inventa-se um possível roubo. A prova técnica pericial mostra que não há possibilidade alguma dessa história de legítima defesa”, detalhou o advogado Hartônio Bandeira

A investigação também afastou a hipótese inicial de crime passional. De acordo com a Polícia Civil, os elementos colhidos durante a apuração demonstraram que o investigado não possuía qualquer vínculo pessoal, afetivo ou conhecimento prévio da vítima. “O inquérito policial foi devidamente concluído, tendo o investigado sido indiciado pela prática do crime de homicídio, em razão do reconhecimento, em tese, de excesso na legítima defesa”, informou a Polícia Civil.

O que diz a perícia

As provas periciais reunidas durante a investigação apontaram que Francisco Werick morreu em decorrência de hemorragia provocada por quatro disparos de arma de fogo. O exame de microbalística confirmou que os tiros partiram da arma funcional do policial militar investigado. A perícia de local do crime também concluiu que não havia sinais de tentativa de arrombamento na residência onde estava o policial no momento do ocorrido.

O laudo pericial apontou ainda que os disparos foram efetuados à distância. Conforme os peritos, o gotejamento de sangue identificado no chão indica que a vítima teria realizado um trajeto de recuo ou tentativa de fuga após ser atingida. Outro ponto destacado pela investigação foi que um suposto simulacro de arma de fogo e um facão encontrados na cena estavam a 14,11 metros de distância do corpo de Werick. A perícia constatou ainda que o simulacro estava quebrado.

Durante a análise dos objetos apreendidos, os peritos identificaram material genético masculino de mais de duas pessoas nas armas encontradas, o que impossibilitou determinar quem teria manuseado os objetos. Com a conclusão do procedimento, o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que deverão adotar as providências legais cabíveis sobre o caso.

Fonte: Portal A10+ com informações do Campo Maior em Foco

  

 

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