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'Ciro é do nosso campo e um nome a ser tratado', diz Wellington Dias

Aos 56 anos de idade, o petista Wellington Dias já foi vereador de Teresina, deputado estadual, senador e está finalizando seu terceiro mandato como governador do Piauí com grandes chances de vencer a reeleição. Ele também era um dos principais interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de ele ser preso, no início de abril.
Em entrevista ao UOL, Dias rebate a ideia de que uma aliança do PT com Ciro Gomes (PDT) esteja "100% descartada", como disse o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Luiz Marinho. "O Ciro Gomes é do nosso campo e por essa razão é um nome a ser tratado", afirmou o governador.
Apesar de acenar para uma eventual aliança com Ciro Gomes, Dias afirma que a estratégia de manter o nome de Lula como pré-candidato do partido à Presidência está correta e que tirá-lo da disputa nesse momento seria uma "traição".

Kleyton Amorim/UOL Governador do Piauí, Wellington Dias (PT) defende conversas com Ciro Gomes se Lula não puder ser candidato... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/12/ciro-gomes-e-do-nosso-campo-e-um-nome-a-ser-tratado-diz-governador-do-pt.htm?cmpid=copiaecol
Kleyton Amorim/UOL Governador do Piauí, Wellington Dias (PT) defende conversas com Ciro Gomes se Lula não puder ser candidato... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/12/ciro-gomes-e-do-nosso-campo-e-um-nome-a-ser-tratado-diz-governador-do-pt.htm?cmpid=copiaec
UOL - O que a saída de Joaquim Barbosa (PSB) da disputa presidencial muda na estratégia do PT?  

Wellington Dias - Sinceramente, nada. Nós temos uma ideia de um campo político. Na minha opinião, esse campo político, que tem o ex-presidente Lula como principal expoente, tem também o Ciro Gomes, a Manuela [D'Ávila], o [Guilherme] Boulos e, eu diria, o [Joaquim] Barbosa por ter vindo ao PSB, que é parte desse campo. 

Nesse contexto, a desistência de Joaquim Barbosa enfraquece esse campo?
Não, porque o PSB haverá de encontrar alternativas. Veja que ele já tinha outras alternativas antes de ser posto o nome de Joaquim Barbosa.  

O PT está preparado hoje para um cenário de eleição sem o presidente Lula? 
Do ponto de vista do PT, é natural, normalíssimo, que na fase em que estamos, pré-eleitoral, os partidos tenham um nome. O nome inconteste do PT, dentro do PT e abraçado por líderes de outros partidos, é o do Lula. O que que claramente o partido tem firmeza e acho isso positivo: não há prova, portanto não há crime, portanto não compreendemos o amparo legal da prisão do ex-presidente. 
Enquanto tiver a opção de provar sua inocência, você não pode estar encarcerado como fizeram com o presidente Lula. Por isso a tese de que ele é um preso político e por essa razão, coerentemente, [Lula] é o nome que será apresentado quando do registro das candidaturas. 
Neste caso, apenas o presidente Lula pode mudar isso. Ninguém mais. A direção do partido concordou com essa tese e ele também. Se o PT toma uma outra posição, como isso vai ser visto pelo presidente e pelo povo? Nós estaríamos o traindo. E isso não é recomendável dentro da política. Temos alternativas internas se precisar e temos um campo político. 

Evitar discutir um cenário sem Lula publicamente, distante do eleitor, é a melhor estratégia para o PT? 
É a melhor estratégia para o Brasil. Que partido tendo um líder que tem entre 30% ou 35% das intenções de voto nesta fase do ano eleitoral joga isso na lata do lixo? Seria uma irresponsabilidade. Você tem ideia da falta que faz um líder como Luiz Inácio Lula da Silva neste instante no planeta? Qual é o líder que vai coordenar para se contrapor às posições do presidente [Donald] Trump, por exemplo? Ou para harmonizar com as [posições] do presidente da China, da Índia, da Rússia?  
Mas o senhor acha que Lula, preso, condenado em primeira e segunda instâncias teria essa mesma capacidade e reputação internacional hoje? 
Dizendo desta forma, parece que não. Mas, se a gente olhar o contrário, cadê a prova de que o apartamento que seria o objeto da corrupção é do Lula? Onde está esse documento? Eu quero um. Uma prova só. Cadê o documento, um só, de que o sítio de Atibaia é do Lula? Cadê um centavo que acharam na conta do presidente Lula ou de seus familiares no Brasil ou em outros países? Por isso ele continua respeitado. 

O senhor acha que é possível que a esquerda tenha um candidato único já no primeiro turno?
Nós vamos, por volta de junho ou julho, nos sentar e tomar uma decisão. Certamente, a primeira pessoa, do ponto de vista do PT, que será ouvida para dar a palavra final é o ex-presidente Lula. Mas vamos manter um diálogo. 
Mesmo com ele candidato a presidente, a estratégia que estava trabalhada era que o Ciro Gomes pudesse ser candidato, a Manuela, o Boulos, a Luciana Genro, sei lá... qualquer um pudesse ser candidato. Isso porque a meta era levar a eleição para o segundo turno. Ou, se a eleição tomar outra dimensão, alguém ganhar no primeiro turno, que seja do nosso campo. Vamos pensar no Brasil antes de tomar essa decisão. 

Essa estratégia de pulverizar candidaturas de esquerda para levar a disputa para o segundo turno está mantida? 
Duas coisas estão mantidas. Primeira: o PT mantém o nome de Lula como pré-candidato a presidente. Segunda: estamos dialogando. Porque no Brasil o cenário é interessante. Toda essa crise política levou a uma situação esquisita. O partido tem uma definição, mas essa não é a realidade nos estados. Se formos pensar apenas na candidatura do ex-presidente Lula...lá em cada estado a posição de líderes de diferentes partidos é diferente do comando partidário. 

Uma aliança com Ciro Gomes é possível ou não?
Primeiro, acho que está correta a estratégia do PT de que o nome é o nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Está correto que vamos até a convenção. Eu, pessoalmente, defendo que, na conjuntura da convenção, nós vamos ter que tomar decisões. 
Se o partido diz sim, se o presidente Lula diz sim, vai ter que ser registrado o nome dele. O que nós podemos colocar? Vamos ter que ter uma decisão técnica que é a seguinte: há um prazo para registro e prazo para substituições após o registro de candidatura. Se ocorrer a cassação do registro de candidatura [de Lula], vamos ter que ter uma alternativa. O nome que a gente tem dos que já foram citados é o nome do Fernando Haddad. Em tese, ou o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad ou um outro nome, o partido tem alternativas. 
E eu reconheço o ex-ministro Ciro Gomes como do nosso campo, um líder que tem a maior preferência de votos, um líder que tem preparo, foi governador e foi ministro. Convivi com ele nessa condição de ser um bom executivo, tem um bom programa de alternativas e saídas para o Brasil. 
É claro que, no momento das decisões, essa também será uma alternativa a ser analisada. Mas acho que, do que eu conheço o meu partido, do que eu conheço a realidade, a minha posição, que é a de manter a candidatura do presidente Lula até 15 de agosto, vai prevalecer. 

Hoje, o ex-prefeito Haddad tem menos intenções de voto que o ex-ministro Ciro Gomes. O PT estaria preparado para ser vice numa chapa com Ciro Gomes? 

Vamos para o mundo real. Uma coisa é ex-ministro Fernando Haddad numa situação em que ele não é candidato. O candidato do PT é Lula. 
Tente imaginar um cenário em que o PT decide pela candidatura própria tendo Haddad como opção. É uma opção do Brasil inteiro. Estamos falando de mais ou menos 2 milhões de militantes, com mais 15% a 20% de simpatizantes em todo o país. Estamos falando de um partido que tem quase 20% da preferência dos eleitores no Brasil mesmo com todas essas baterias que são descarregadas em cima dele. Que partido resistiria? 
Esse conjunto de líderes espalhado em cada município, em cada comunidade faz uma diferença enorme. Agora, soma isso a uma palavra do líder Luiz Inácio Lula da Silva dizendo: "Ó, moçada... brasileiros e brasileiras, a saída é essa aqui".
  
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Luiz Marinho, disse que uma aliança com Ciro Gomes está descartada. O senhor acha que não?

Não. Eu não trabalho com essa tese e nem o partido tem essa decisão. Eu trabalho com a posição do PT e o PT tem uma decisão tomada: registrar em 15 de agosto a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como nosso candidato a presidente. Se tivermos uma situação em que seja cassado o registro e não seja possível, nós vamos tomar uma decisão. 
Eu, pessoalmente, advogo que nós vamos trabalhar com duas alternativas. Alternativa um: candidatura própria. Imagino eu que, nesse instante, o nome mais natural é o do ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad. A alternativa 2 é apoio a um nome de um outro partido e, pessoalmente, entendo que o PDT é do nosso campo, o Ciro Gomes é do nosso campo. E por essa razão é um nome a ser tratado. Assim como Manuela D'Ávila, outros nomes do nosso campo.  

Em 2016, seu estado teve o segundo maior índice no número de homicídios de jovens entre 15 e 24 anos de idade. O que está dando errado na política de segurança pública em seu estado? 

A violência cresceu no Nordeste inteiro e chegamos a uma taxa de homicídios de 28 por 100 mil habitantes há alguns anos. Conseguimos envergar essa curva e reduzir para 20/100 mil. Mas ainda é muito alto. O que mudou? Houve, nos últimos anos, uma perda de controle das fronteiras no Brasil. A entrada de droga e de arma é feita com muita facilidade. Acho que esse é o maior investimento que o Brasil precisa fazer. E sem ele é difícil o estado resolver. É como enxugar com um rodo uma sala que tem uma torneira aberta derramando. 

Com informação do UOL

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